desabafo número um

não sei por onde começar. comecei meu primeiro blog há muitos anos e acabei abandonando, mas entendi com o tempo que escrever é uma necessidade incrível para mim, que eu tenho dificuldade para viver sem. escrevo em diários há milênios, mas nas últimas semanas conturbadas minha mão não acompanha meu raciocínio. fico triste, mas a tecnologia acaba me vencendo. senti necessidade de abrir meu próprio canto, mesmo que você aí não me leia – aparentemente meus dedos são mais rápidos e poderei digitar e vomitar sempre (na velocidade) que preciso.

não vou perder tempo dizendo quem eu sou, o que faço, o que pretendo fazer. até porque eu não saberia responder a primeira pergunta, para começo de conversa. acho que esse blog é um pouco para me descobrir. eu estava gastando mais de duzentos reais por mês em terapia e ela nem era doce comigo. escute, eu preciso que você seja doce comigo – especialmente se te pago pra isso. não, eu não estou me iludindo, mas esses profissionais da saúde precisam urgentemente de um workshop de como lidar com os seres humanos. são avessos ao toque, pelamordeDeus. a minha terapeuta não gostava muito de me abraçar quando eu chegava no consultório e eu achava horrível entregar aquelas notas de cem ou cinquenta reais diretamente ao final da conversa. parecia que eu estava pagando para que ela ficasse comigo. e sei que de fato eu estava, mas poxa, é muita cara de pau. faltava sensibilidade (a uma terapeuta! que dia é hoje? em que mundo estamos?!). enfim, todo esse devaneio só pra dizer que o blog me pareceu mais barato. quem sabe você que me descobre consegue ser mais bonzinho comigo do que aquela profissional – que além de tudo se vestia muito mal!

eu acho que o primeiro ponto é esse. eu gosto que as pessoas gostem de mim e não acho que isso tenha acontecido com muita facilidade na minha vida. parece uma besteira, você me achará cansativa, mas essa é a maior verdade. eu nunca fui a mais querida da sala. ainda hoje quando entro em uma e percebo que o número de pessoas que me detesta ou que me acham indiferente é maior do que o número de pessoas que me adora, tenho dor no coração. sou uma carente assumida, eu sei. mas não sou sozinha no mundo. Sabino sabia (ha!) muito bem quando disse “amo as pessoas e as coisas mais do que sou amado”. e eu tive dó de Eduardo Marciano. infelizmente aquela criatura torturada se parece um pouco comigo. deve ser o máximo olhar pra grandes personagens da literatura e se identificar. eu fui logo me identificar com o perturbado do Marciano.

e ainda me identificar em partes, porque me parece absurdo, agora que me recordo que aquele infeliz bebia tanto. justamente porque chegamos ao segundo ponto que me traz até aqui. eu odeio bebida. tenho verdadeiro asco. e você pode achar que isso não é um problema, e ah, que lindo!, mas a grande verdade é que o mundo te acha meio marciana por isso (tá, parei com as analogias). meu namorado, por exemplo, acha perfeitamente normal que as pessoas passem do ponto com certa regularidade. ele adora passar do ponto. ele me disse isso com todas as letras ontem. e afirma, como dois e dois são quatro, e b mais a é bá, que acha isso tudo perfeitamente normal. estamos construindo nossa família do zero, o pai dele era alcoolatra, eu perdi meu tio pra essa desgraça e tudo que eu queria era que ele abrisse bem os olhos e enxergasse que não tem nada de normal em beber tantas latinhas de cerveja sem parar. ou caipirinhas. ou, por Deus, whisky. sei lá se escrevo certo. me orgulho um pouco de ficar longe desse caminho sombrio.

e então que é isso. tenho uma aliança no dedo e alguns preconceitos. detesto bêbado. acho gente bêbada chata, me cansam loucamente. meu namorado tem alguns como amigos e outros tantos na família. e eu juro, gosto desse povo. mas quando eles são eles mesmos, quando não estão dominados pelo álcool. e eu morro de medo que ele queira entrar de vez nessa onda. que ele dê a chave para a cerveja dirigir. tenho medo de perder tudo que eu tenho. sou uma medrosa sem freios e acho que estou aqui pra isso. há quem beba. eu escrevo.

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